Edição JAN / JUN - 2013    

            Os últimos acontecimentos em nosso país mostraram que toda a sociedade brasileira aguarda mudanças fundamentais. Não foram apenas a saúde e a educação postos em foco, em cada uma das manifestações que se levantaram pelo Brasil afora, mas a própria noção de direito civil. Quanto à educação, como não poderia deixar de ser, num breve despertar de consciência política e reavivamento da vontade de mudança – que esperamos que dure – mostrou-se em cartazes e gritos de ordem como uma das pedras angulares desse anseio social.
            É um momento em que as universidades devem continuar produzindo conhecimento, mas procurando, a partir de então, cercar-se de questões prementes em relação ao conhecimento produzido dentro de suas fronteiras. Como difundir esse conhecimento? Como fazer com que ele chegue, de fato, a quem ele precisa chegar? Será que nós mesmos, produtores desse conhecimento, não internalizamos a lógica burocrática e paralisante com a qual o estado se defende na preservação de estruturas políticas desiguais e excludentes? E ainda: Qual a validade desse conhecimento? Se não estivermos prontos para encarar essas reflexões de frente, tememos que a universidade se transforme num espaço inócuo e incapaz de fazer com que o conhecimento seja realmente algo importante na vida dos cidadãos: uma ferramenta de emancipação social e humana.
            Pensando nisso, começaremos na próxima edição da Encontros de Vista, o 12º, uma série de entrevistas com professores editores de revistas acadêmicas da área de Letras de todo o país. O objetivo é ouvi-los, e poder a partir disso refletir sobre o papel, os limites e a função que uma revista acadêmica pode ter para além dos pontos no currículo Lattes ou nas avaliações da CAPES e do CNPq. Esperamos, assim, contribuir para um debate que deve espelhar o espírito crítico que invadiu várias camadas da sociedade, os meios de comunicação e as redes sociais. O conhecimento científico sem esse horizonte, sem a consciência de ocupar a função de um propulsor de mudanças tende a se tornar, diante do mundo contemporâneo, ou algo obsoleto ou algo mortal e perverso.
            Para este número da Encontros de Vista, Aldeir Gomes e Valéria Severina Gomes, com o artigo “A sucessão presidencial nas capas do jornal Diário de Pernambuco: uma leitura diacrônica”, tendo como base elementos formais, linguístico-discursivos  e as Tradições Discursivas (TD), enfocam como o jornal, do séc.XIX até o séc. XX, manteve e alterou determinados elementos em sua capa a partir de um evento social significativo que é a sucessão presidencial. No artigo seguinte, intitulado “Analise de citações em artigos científicos na área de Letras”, Ananias Agostinho da Silva e Francisco Vieira da Silva empreendem importante estudo do uso de citações por estudantes e especialistas na área de Letras, demonstrando de que modo as citações integrais e não-integrais são praticadas por um e outro grupo.
No terceiro artigo, sob o título de “O editorial no jornal O Carapuceiro e a transposição para o ensino”, Carolina Maria Bezerra Cavalcanti e Valéria Severina Gomes analisam editoriais do periódico “O Carapuceiro”, editado pelo padre Lopes Gama de 1832 a 1847, tomando como ponto de partida os estudos sócio-históricos da língua, para propor uma consciência ampla sobre o impacto das mudanças sociais sobre as mudanças na língua e na formação de modelos textuais. O artigo ainda aborda a transposição dessa consciência do aspecto diacrônico e sincrônico da língua para o ensino. No quarto artigo, de autoria de Fábio Andrade, apresenta-se a experiência didática de uma oficina de criação poética, fundamentada em alguns importantes teóricos de metodologia do ensino de literatura. Busca-se com a oficina aproximar alunos do curso de Letras dos textos literários e, ao mesmo tempo, exemplificar de que modo podem ser didatizadas importantes reflexões dos estudos literários a respeito da natureza da criação poética.
O quinto e último artigo desta edição, de autoria de Jeferson de Moraes Jacques e Andressa Mueller, intitulado “A terrível(mente inovadora) simetria: o personagem Rorschach, do romance gráfico Watchman, de Alan Moore e Dave Gibbons”, estuda a composição literária de um dos marcantes personagens dessa narrativa gráfica, além de encetar uma importante discussão sobre as fronteiras entre realidade e ficção.O caráter intersemiótico do objeto em questão – o romance gráfico – só enfatiza o espaço para outras linguagens que sempre marcou o perfil editorial da Encontros de Vista. Há ainda, no espaço literário desta edição, uma antologia dos poemas produzidos durante a oficina de criação poética realizada por Fábio Andrade.

Na expectativa de que os artigos ora publicados aqui representem iniciativas de fazer com que o conhecimento se transforme nessa ferramenta de emancipação social de que falamos e possam, de alguma forma, e cada um no seu âmbito, fomentar a consciência crítica e a capacidade de ler e interpretar as realidades que nos cercam, é que nos despedimos. Boa leitura!

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 Sandra Helena Melo
 Fábio Andrade

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Artigos:


A SUCESSÃO PRESIDENCIAL NAS CAPAS DO JORNAL DIARIO DE PERNAMBUCO: UMA LEITURA DIACRÔNIA
Autores:
Aldeir Gomes
                 Valéria Severina Gomes



ANÁLISE DE CITAÇÕES EM ARTIGOS CIENTÍFICOS DA ÁREA DE LETRAS
Autores: Ananias Agostinho da Silva    
                 Francisco Vieira da Silva


O EDITORIAL NO JORNAL O CARAPUCEIRO E A TRANSPOSIÇÃO PARA O ENSINO
Autoras:
Carolina Maria Bezerra Cavalcanti
                 Valéria Severina Gomes


OFICINA DE CRIAÇÃO POÉTICA: UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO DE LITERATURA
Autor: Fábio Cavalcante de Andrade

A TERRÍVEL(MENTE INOVADORA) SIMETRIA: O PERSONAGEM RORSCHACH, DO ROMANCE GRÁFICO WATCHMEN, DE ALAN MOORE E DAVE GIBBONS
Autores:
Jeferson de Moraes Jacques
                
Andressa Mueller