Edição JAN / JUN - 2014    

            Em seu décimo terceiro número, a revista Encontros de Vista reafirma seu compromisso com a reflexão sobre a linguagem de maneira plural. Uma revista acadêmica, mais do que nunca, deve, hoje, configurar-se como uma tribuna, espaço de uma discussão mais ampla que vai além das especialidades. Daí a criação e manutenção da linha editorial desta revista que se deseja cada vez mais interdisciplinar. Sabemos que há muito a fazer para atingirmos essa meta, mas o trabalho segue transformando a revista num prolongamento ainda mais amplo do curso de Licenciatura em Letras da UFRPE. É nesse sentido que o ingresso de outros professores como editores da revista ajudará a contornar dificuldades que são comuns a todo periódico científico. Por outro lado, o prof. Fábio Cavalcante de Andrade deixa o corpo editorial para seguir outros caminhos, pois está de mudança de instituição e acompanhará a partir deste número, ainda organizado por ele e pela professora Sandra Helena, a revista Encontros de Vista como leitor e eventual colaborador.

O primeiro artigo deste número – A Literatura Contemporânea e o Ensino – trata da relação do ensino de literatura com a literatura contemporânea, questão das mais pertinentes em tempos midiáticos, de internet e vertiginosa circulação de informação. Nele, Danielly Cristina Pereira Vieira e Gustavo Henriques Rodrigues tecem uma interessante reflexão sobre a própria ideia de ser contemporâneo e seu impacto na literatura. Realizaram entrevistas com professores de ensino médio para averiguar qual a ideia que têm de literatura contemporânea e como ela está sendo trabalhada em sala de aula. O segundo artigo, intitulado Capitu: a Metáfora Possível, embora tenha os estudos literários como um dos seus apoios, parte da área de comunicação, pois tem como objeto a série televisiva Capitu do diretor Luís Fernando Carvalho, adaptação por sua vez do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Neste artigo Mariana Nepomuceno analisa como o caráter anti-ilusionista, profundamente moderno, presente na obra do escritor realista foi transposto para a linguagem do audiovisual. Uma série de recursos próprios dessa linguagem foi acionada pelo diretor para manter viva, na microssérie, o caráter ambíguo da narrativa machadiana.

O terceiro artigo – Leitura Literária (de poemas) no Livro Didático – o autor Roberto Belo analisa como o livro didático utiliza poemas e de que modo pode ocorrer a leitura literária desses textos. O artigo toca em questões prementes, tais como a escolarização da literatura e a presença da poesia no ensino da disciplina literatura. O objeto de análise são exercícios contidos no livro didático Português: linguagens, 8º e 9º anos, de Cereja e Magalhães. Como bem constata o autor, a leitura literária ainda não é valorizada como deveria no livro didático, assim como uma mediação de qualidade é fundamental para tornar o livro de fato uma ferramenta importante no letramento literário. O quarto artigo, de autoria de Alan Ricardo Costa e Vanessa Ribas Fialho, intitula-se O Repositório Acción E/LE a partir de um Estudo sobre Portais Educacionais, consiste numa análise dessa importante ferramenta tanto para professores como para alunos de língua espanhola como língua estrangeira, a partir do conceito de portal educacional, já que há abertamente o propósito de que o repositório venha a se transformar numa iniciativa dessa natureza. O quinto e último artigo, de Vicentina Ramires – Relações entre Análise do Discurso, Linguística de Textos e Gêneros Textuais: o Conceito de Intertextualidade – tem por objetivo entrelaçar áreas como a Análise do Discurso (AD), a Linguística de Texto e o estudo dos Gêneros através do conceito de intertextualidade, que é abordado a partir de gêneros textuais literários e imagéticos. O sentido do texto estaria constituído por elementos vários, que determinariam sua capacidade de produzir sentido e também uma visão mais integradora, ou inter-relacional, entre as várias áreas dos estudos sociointeracionistas. Fecha a edição uma resenha de Danielly Cristina Pereira Vieira sobre o livro de poemas Geografia Íntima do Deserto, de Micheliny Verunschk, uma das vozes mais representativas da poesia brasileira contemporânea.

Como se vê, essa inclinação para o diálogo entre palavra e texto, palavra e imagem, comparece com força assinalando o perfil de um publicação que esperamos se firme mais e mais na sua proposta inicial. Proposta essa que se mostra como um espaço cada vez mais fértil para a reflexão sobre a linguagem, seu significado e importância no mundo atual. Boa Leitura!

 

 Sandra Helena Melo
 Fábio Andrade

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Artigos:

A LITERATURA CONTEMPORÂNEA E O ENSINO
Autores:
Danielly Cristina Pereira Vieira
                 Gustavo Henriques Rodrigues


CAPITU: A METÁFORA POSSÍVEL
Autora: Mariana Nepomuceno


LEITURA LITERÁRIA (DE POEMAS) NO LIVRO DIDÁTICO
Autor: Roberto Belo


O REPOSITÓRIO ACCIÓN E/LE A PARTIR DE UM ESTUDO SOBRE PORTAIS
EDUCACIONAIS

Autores:
Alan Ricardo Costa
                 Vanessa Ribas Fialho


 RELAÇÕES ENTRE ANÁLISE DO DISCURSO, LINGUÍSTICA DE TEXTOS E GÊNEROS
TEXTUAIS: O CONCEITO DE INTERTEXTUALIDADE

Autora: 
Vicentina Ramires


Resenha:

VERUNSCHK, Micheliny. Geografia íntima do deserto. São Paulo: Editora Landy, 2003, 118p.