Edição JAN / JUN - 2016

    

      “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós...”. Este trecho do Hino da Proclamação da República, de 1890, retomado em 1989 no samba enredo da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense (RJ),, de 1989, retrata o quanto a liberdade é valiosa para a vida em sociedade e como, em determinados períodos e atos, ela pode ser fortemente ameaçada. Oswaldo Guayasamin artisticamente também expõe a busca pela liberdade na obra “O grito dos oprimidos”, que se encontra na página inicial deste número da Revista Encontros de Vista. Cada vez mais é preciso gritar que a liberdade de pensar, de dizer, de ser diferente, de ter acesso aos bens culturais e sociais, de escolher, de aceitar que uma escolha feita democraticamente pela maioria é uma forma de liberdade que não pode ser reprimida. Mas, como diz Clarice Lispector no texto do Espaço Literário, “a liberdade ofende”. A Revista Encontros de Vista procura em cada edição se constituir como um espaço livre para a socialização do conhecimento, para as reflexões que envolvam a Linguística, a Literatura e as áreas afins acerca de questões que estejam dentro e fora dos muros das Universidades.

Com o propósito de oportunizar o intercâmbio entre as Universidades e a sociedade, a Revista toma a liberdade de, nas duas edições de 2016, fazer referência à contribuição do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste (GELNE) ao desenvolvimento da ciência, nos seus 40 anos de existência, publicando artigos da XXVI Jornada. Registramos o nosso agradecimento aos autores que disponibilizaram os seus textos para publicação na Revista Encontros de Vista.

Na 17ª edição da Revista, a autora Ana Karine Pereira de Holanda Bastos, no artigo Marcas da oralidade da tradição discursiva ‘anúncios de fuga de escravos’ dos jornais do Recife do século XIX, discute que a fala e a escrita têm fortes vinculações com a cultura de um povo, por serem dois importantes canais de veiculação da cultura de uma dada sociedade e na difusão de certas Tradições Discursivas (TDs). Os resultados revelaram que os anúncios são textos cheios de desvios que afetam a organização sintática, períodos anacolúticos, uso frequente de palavras passe-partout ou omnibus e com digressões e añadidos que são características fortemente presentes na oralidade.

O artigo intitulado A argumentação nos editoriais de jornais paraibanos do século XIX e século XX: aspectos linguísticos e contextuais, de Ana Paula Bezerril Celestino e Roseane Batista Feitosa Nicolau, aborda os aspectos sócio-históricos e linguísticos encontrados nos editoriais de jornais. O estudo revela o teor argumentativo do editorial e os modalizadores que favorecem essa ação. Eles dão pistas acerca da posição do jornal perante o fato ou assunto tratado. Os modalizadores encontrados com mais frequência nos editoriais analisados foram os afetivos (avaliativos), deônticos e epistêmicos.

No artigo O Jeca Tatu em livros didáticos: uma breve análise, Antonio Lamenha, Renata Pimentel e Sherry Almeida abordam o tratamento dado ao personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, em dois manuais didáticos do Ensino Médio – Literatura Brasileira – Em Diálogo com Outras Literaturas e Outras Linguagens (2009), de William Cereja e Thereza Cochar, e Literatura Brasileira – Das Origens aos Nossos Dias (2007), de José de Nicola.

O ensino de língua, mais especificamente, a constituição da produção do sujeito-autor na escrita é o foco do artigo Práticas de ensino da escrita na escola – a instituição da autoria em questão, de Elaine Cristina Nascimento da Silva e Lívia Suassuna. Para tanto, as autoras se debruçam na observação da prática de docentes na orientação para a produção textual em sala de aula. Neste trabalho, chega-se a hipótese de que atividades escritas baseadas em situações didáticas promovidas na realidade vivida desperta o potencial de autoria dos estudantes do ensino básico.

Erivaldo Pereira do Nascimento e Yslânia Soares Gonçalves, no artigo A modalização discursiva no gênero resolução: estratégia semântico-argumentativa, discutem a argumentatividade no gênero discursivo resolução, principalmente a partir do uso de modalizadores discursivos. A análise revela que o locutor faz uso principalmente dos modalizadores deônticos de obrigatoriedade e delimitadores, para imprimir argumentatividade no gênero resolução, gerando diferentes efeitos de sentido.

O lugar da discussão sobre livro didático na formação inicial do professor de português, de Hérica Karina Cavalcanti de Lima, aborda o tratamento do livro didático na formação de graduandos de licenciatura em Letras. No artigo, são refletidos aspectos da abordagem desse recurso na formação inicial, observando-se como os livros didáticos são tratados em componentes curriculares diversos (origem, denominação, uso e indicações bibliográficas) em duas instituições federais de ensino superior.

No artigo O processo de referenciação na relação verbo-gestual: um recorte do videoblog ‘salto agulha’, de TVEJA, Ivanilson José da Silva, Thaís Ludmila da Silva Ranieri e Cleber Alves de Ataíde investigaram a articulação entre o verbal e o gestual no processamento dos referentes em um dos vídeos do programa de TV web “Salto Agulha”, do site de veja.com, analisando os aspectos ligados ao fenômeno da referenciação com a multimodalidade, a fim de compreender a categorização de alguns referentes. A partir das análises, os autores defendem a necessidade de se admitir a noção de texto como algo que não se restringe a elementos de natureza verbal e que os elementos não verbais são essenciais para a interlocução entre os sujeitos, pois a relação do verbal com o gestual é um fator bastante relevante no processamento cognitivo e na construção de referentes.

Propondo uma reflexão acerca da relevância de se trabalhar com a análise linguística, a partir do que sugerem os Referenciais Curriculares para o Ensino Médio do Estado da Paraíba (RCEM-PB, 2006), e enfatizando os caminhos metodológicos que esse documento apresenta, Linduarte Pereira Rodrigues e Maria Eliane Gomes Moraes, no texto Análise linguística na aula de língua portuguesa: caminhos possíveis, defendem que o trabalho com a análise linguística atrelada com a leitura e a escrita possibilita uma reflexão sobre o funcionamento da língua/linguagem, em suas várias dimensões, permitindo que o discente se coloque como sujeito ativo no processo de ensino e aprendizagem.

A partir dos artigos publicados nesta edição, esperamos despertar o interesse dos leitores para o número seguinte da Revista Encontros de Vista, que manterá as publicações de trabalhos da XXVI Jornada do GELNE, como uma forma de ampliar a participação na próxima Jornada, como também ampliar o espaço de liberdade que a Revista Encontros de Vista proporciona para a troca de conhecimentos. Até a próxima edição!.

Os Editores

OBS: Os artigos abaixo estão em formato .PDF e só poderão ser visualizados com o aplicativo visualizador de PDF; caso não o tenha instalado em seu computador, você poderá baixá-lo, gratuitamente, clicando aqui

Para salvar os artigos em seu computador, clique, com o botão direito de seu mouse, sobre o link do artigo desejado e, em seguida, clique em SALVAR LINK COMO.

Artigos:

MARCAS DA ORALIDADE DA TRADIÇÃO DISCURSIVA ‘ANÚNCIOS DE
FUGA DE ESCRAVOS’ DOS JORNAIS DO RECIFE DO SÉCULO XIX

Autora:
Ana Karine Pereira de Holanda Bastos (UNIFAVIP/DeVry)¹


CRÔNICA: A ARGUMENTAÇÃO NOS EDITORIAIS DE JORNAIS PARAIBANOS DO
SÉCULO XIX E SÉCULO XX: ASPECTOS LINGUÍSTICOS E CONTEXTUAIS

Autoras: Ana Paula Bezerril Celestino¹
                 Roseane Batista Feitosa Nicolau
²


O JECA TATU EM LIVROS DIDÁTICOS: UMA BREVE ANÁLISE
Autores: Antonio Lamenha¹ (UFRPE)
                 Renata Pimentel² (UFRPE)

            Sherry Almeida³ (UFRPE)


PRÁTICAS DE ENSINO DA ESCRITA NA ESCOLA – A INSTITUIÇÃO DA AUTORIA EM QUESTÃO
Autoras:
Elaine Cristina Nascimento da Silva¹
                 Lívia Suassuna²



 A MODALIZAÇÃO DISCURSIVA NO GÊNERO RESOLUÇÃO: ESTRATÉGIA SEMÂNTICO-ARGUMENTATIVA
Autores: 
Erivaldo Pereira do Nascimento (UFPB)¹
                 Yslânia Soares Gonçalves (UFPB/CNPq)²


O LUGAR DA DISCUSSÃO SOBRE LIVRO DIDÁTICO NA FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS
Autora: Hérica Karina Cavalcanti de Lima¹


O PROCESSO DE REFERENCIAÇÃO NA RELAÇÃO VERBO-GESTUAL: UM
RECORTE DO VIDEOBLOG “SALTO AGULHA”, DE TVEJA

Autores: Ivanilson José da Silva (PPGL-UFPE/FACEPE)¹
                 Thaís Ludmila da Silva Ranieri (UFRPE/UAST)²
                  Cleber Alves de Ataíde (UFRPE/UAST)³


ANÁLISE LINGUÍSTICA NA AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA: CAMINHOS POSSÍVEIS
Autores: Linduarte Pereira Rodrigues¹
                 Maria Eliane Gomes Morais²