Edição JUL / DEZ - 2012    

            A décima edição da revista Encontros de Vista reafirma seu compromisso com uma produção científica de qualidade. Os artigos desta edição traduzem bem o perfil editorial da revista: a linguagem como ponto de partida para uma reflexão sobre o mundo. Obviamente, o olhar de cada pesquisador vai matizar-se de cores que são próprias à sua área de trabalho, exprimindo uma visão própria seja dos estudos linguísticos, seja da educação, seja dos estudos literários, das ciências sociais etc. Por ser o mundo do homem um mundo fundamentalmente construído com a linguagem, nada mais natural que todo saber dialogue com as questões de linguagem – através dela esses saberes se tornam o que são: formas de compreensão de nossa ação diária, coletiva e gregária.
Assim, o artigo Atuação Política Feminina e Identidades de Gêneros: um Enlace Analítico entre Mídia, o Parlamento e a Sociedade, que abre este número da revista, de autoria de Dulce Helena de Coelho Barros trata da forma como a mulher brasileira politicamente ativa é representada em discursos parlamentares, em textos jornalísticos e em entrevistas com cidadãos da cidade de Maringá veiculadas na imprensa. Através da prática da Análise Crítica do Discurso a autora focaliza textos que circularam durante a campanha da agora presidenta Dilma Rousseff, demonstrando que na vida política – assim como na vida privada – os atores masculinos buscam constantemente se colocar no controle das ações dos atores femininos. No artigo seguinte, de Carlos Gomes de Oliveira Filho – Contracantos: Estudos sobre o Épico na Poesia Brasileira Contemporânea, a poesia épica é estudada à luz de teorias atuais que buscam, não obstante afirmações cristalizadas de que o épico não teria lugar no mundo moderno e contemporâneo, reestabelecer uma compreensão da voz épica em nossos dias, representada por obras de peso na literatura brasileira atual. No artigo Épica, Romance, Mito e Literatura Nacional: Conciliação impossível?, Amanda Brandão Araújo, investiga o percurso das transformações que culminam com a literatura moderna a partir do romance, do mito e da ideia de literatura nacional; e como uma noção radical de literatura inaugurada justamente pela modernidade problematiza a ideia de mito e nacionalidade. Danuza Lima em seu O Amor e seus Ritos: Diálogos Comparativos em Chico Buarque e Nelida Piñon compara duas imagens femininas que representam, para além da idealidade amorosa como pensada desde os gregos, uma forma incondicional de amor, seja ditada pela paixão ou pelo próprio amor, carregada de rituais e convenções próprias de um universo essencialmente poético como é o âmbito amoroso. Já no artigo O Clássico no Contemporâneo: o Mito de Anfion em João Cabral de Melo Neto, os autores Paulo Sérgio Silva e Rosangela M. Silva avaliam de que forma o classicismo se faz presente na poesia moderna, através de motivos como o do lendário príncipe de Tebas – Anfion – e como a poética econômica de João Cabral de Melo Neto, ao mesmo tempo que radicaliza noções próprias a uma visão classicizante, ressemantiza um herói mitológico com o intuito de criar para si mesma uma dimensão heroica enquanto linguagem que desvela as camadas profundas do real. Em O Livro Didático como uma Tradição Discursiva: uma Proposta de Análise, Luciene Maria Patriota demonstra como a mudança de perspectiva, ou seja, a mudança no olhar sobre o livro didático, encarando-o como uma tradição discursiva, pode auxiliar na compreensão de seu duro e difícil trajeto até os dias de hoje. Tradição discursiva essa que reflete um contexto educacional que se arrasta ao longo de décadas constituídos por saberes e discursos didatizados. Ilza do Carmo Vieira Goulart, com seu artigo O Livro que “Abre caminhos”: entre Experiências de Leitura, Representações e afetividade, a partir, principalmente, das teorias de Roger Chartier, analisa a relação de uma senhora com seu material de leitura, num interessante estudo de caso, onde constata como a materialidade do livro desencadeia ações leitoras. No penúltimo artigo desta edição, Pragmática: Polidez e Violência no Brasil, Jair Antonio de Oliveira busca ir além da visão comum que se tem dado à questão da polidez linguística, com o objetivo de compreender qual o significado específico da polidez no contexto sócio- político e cultural brasileiro. Fecha esta décima edição da Encontros de Vista o artigo Textualização do discurso: o livro didático como hipertexto, de Juliene da Silva Barros-Gomes e Jaqueline de Oliveira Silva. As autoras investigam a complexidade inerente a esta polêmica ferramenta que é o livro didático, demonstrando que se pode ampliar a compreensão de sua ação e função encarando-o como um hipertexto, que mesmo impresso apresenta uma série de recursos que são próprios dos textos após as revoluções tecnológicas do último século e início desse século XXI. Esperamos que o sentimento de ampliação do olhar permaneça neste novo número da revista. E que todos os leitores mergulhem nesse encontro, capaz de – esperamos – fomentar novas vistas sobre os fenômenos que nos cercam.
 

 Sandra Helena Melo
 Fábio Andrade

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